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Padeiros, velhinhos, comerciantes, malta nova, homens comuns e artistas. Todos são o rosto do povo do Bairro Alto. Nas lembranças desta humanidade vária e heterogénea está conservada a história de um dos locais mais característicos e peculiares de Lisboa. E hoje que tudo está a mudar, hoje que o Bairro tornou-se na Disneyland do divertimento "à portuguesa", onde cada noite desembarcam as frotas de turistas, os jovens das periferias, e os dealers encontram os seus clientes, hoje que no Bairro se constroem grandes complexos imobiliários, hoje todos estes testemunhos têm ainda mais valor. Seguindo as vozes do Bairro Alto pelas ruas vazias do dia e pela excitação das noites, passando pelas casas e pelos bares, acompanhando as linhas dos graffiti nos muros, através de passado, presente e futuro, não só vamos inscrever a vida de um bairro, mas também vamos traçar o compósito rosto do seu povo. - Rui Simões
sexta-feira, 26 de julho de 2013
ALTO BAIRRO
Quantas vidas tem um bairro? Quantas vidas tem um filme? Da nossa jornada, em constante metamorfose, surgiu o novo título do nosso documentário – ALTO BAIRRO. Mudámos também de página no Facebook. Façam Like e sigam-nos por lá: http://www.facebook.com/altobairrofilme.
quinta-feira, 25 de julho de 2013
Cantador de histórias
Segundas, terças e quartas são noites de enchente na Tasca
do Chico (Rua do Diário Notícias). Foi lá que, encolhidos num banco corrido, a
ver entrar e sair gente num constante rodopio, ouvimos as cantorias do senhor
Reinado Gonçalves. Presença assídua naquela taberna, com um
singular jeito de contador de histórias, Reinado não nos deixou partir sem a
promessa de decorarmos a letra de um fado, facultado pelo próprio, a cantar na
semana seguinte. Diz a primeira estrofe: “Um Sábio certo dia passeava/ Num lago
de recreio, num lindo bote/ E quem airosamente o tripulava/ Era um rude
barqueiro já velhote”.
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Morte anunciada
Estamos solidários com a centenária Livraria Sá da Costa
(Rua Garrett, 100) que anunciou encerrar no dia 22 de Julho, juntando-se àquilo
a que chama “Lisboa desaparecida”. Ao longo da nossa deriva pelo Bairro Alto,
demo-nos conta de outros casos semelhantes, como o das livrarias Olisipo e Artes e Letras, vizinhas uma da outra no Largo Trindade Coelho (também dito da
Misericórdia, de São Roque ou do Cauteleiro).
Os proprietários, José Vicente e
Luís Gomes, respectivamente, estão desolados com o Artigo 1101, que, dando
plenos poderes aos senhorios permite a estes últimos subir indiscriminadamente os
preços de arrendamento. “O que foi a tradicional rota das Livrarias e
Antiquários nesta zona histórica da cidade passará a ser a nova rota dos Hotéis
de Charme e dos Hostels”, comentou o dono da Olisipo em carta aberta à Câmara
Municipal de Lisboa, lamentando a descaracterização da cidade.
Segundo O Corvo,
consta que os restaurantes Expresso (onde já nos sentámos à mesa) e Adega de S. Roque e a pensão Estrela de Ouro estão igualmente condenados à guilhotina.
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Viagem no tempo
Ao nos desviarmos da realidade para a ficção, pusemos também um pé fora do Bairro Alto. Fomos no encalço dos cabides sem-fim do Guarda-Roupa Maria Gonzaga (Estrada dos Prazeres, 57-59), que há mais de vinte anos aluga e confecciona de raiz figurinos para a sétima arte. Fechámos os olhos e, entre outras paragens, acordámos no Bairro Alto dos anos 50.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Bairro Alto, alta temperatura
Degrau a degrau, descemos às cabinas labirínticas do Trombeta Bath, a sauna gay do
Bairro Alto que tão oportunamente roubou o nome à Rua do Trombeta. Um
projecto acalorado de João Costa, que despiu o fato de engenheiro civil
para mergulhar de corpo e alma nos vapores arroxeados que há três anos
animam o número 1C daquela rua.
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Mário Parafuso
"Somos filhos de um espermatozóide e de um óvulo, iguais na essência e não na sequência”. O dito proverbial é do Mário ‘Parafuso’, habitué do Pérola do Oriente, café de letreiro escondido na Rua da Atalaia. Na foto, o ex-guia turístico do Bairro Alto espreita à porta de casa, na qual nos convidou a entrar.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
O salão da Isabel
A dona Isabel deu-nos um cartão do seu cabeleireiro (na Rua da Atalaia), que se recusa a passar a vintage. Num bairro “feito só para a noite”, mantém o horário diurno e sobrevive com a “clientela antiga”.
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